Educação e Fibromialgia

A educação em saúde é um processo dinâmico, no qual se pretende que as pessoas considerem a saúde como um valor, incentivando a utilização de serviços de saúde, bem como estimulando as pessoas a conseguirem saúde através de seus próprios esforços e ações (Dily, 1995; Silva, 1994). A educação em saúde é qualquer atividade relacionada com o aprendizado e é desenvolvida, geralmente, através do
aconselhamento interpessoal, em locais como consultórios, escolas, entre outros, assim como através da comunicação (Buss, 1999; Buss, 1998). Os profissionais que atuam nos serviços de saúde pública e privada devem estar capacitados a atuar em programas de promoção da saúde, onde a educação é um ponto chave (Candeias, 1997; Lobo, 1995).
Segundo Marques (2006), diversos autores salientam a importância dos processos educativos na fibromialgia. A autora diz que o processo educativo deve constituir-se de orientações para uma adequação dos exercícios físicos – que devem ser incorporados aos hábitos diários -, programas de auto manejo da doença, de encorajamento e conhecimento da síndrome.

Quanto ao programa de exercícios para fibromialgia, Rosen (1994) ressalta a importância de se estabelecer um programa de atividades para o paciente realizar em casa, como suplemento do tratamento. Dessa forma, incentiva-se o estilo de vida mais participativo e funcional, contribuindo para restabelecer a flexibilidade física e emocional do paciente.

Já quanto aos programas de auto manejo da fibromialgia, Sandstrom e Keefe (1998) enfatizam as estratégias de “coping”, utilizando-se de técnicas de relaxamento e resolução de problemas, além do já frisado ensinamento de como desenvolver as atividades físicas com autonomia.

Pridmore e Rosa (2001) também enfatizam a grande importância de combinar, nos programas educativos de fibromialgia, o ensinamento de técnicas de relaxamento, meditação, alongamento, reestruturação cognitiva, exercícios aeróbicos e educação do paciente e da família.

Apesar de uma vasta literatura apontar os benefícios da educação na fibromialgia, os estudos geralmente apresentam técnicas e metodologias muito distintas. É possível encontrar programas de educação para fibromialgia que variam de 4 semanas a um ano (Burckhardt e Bjelle, 1994). Além disso, a periodicidade dos encontros também varia muito – sendo comum frequências de uma vez por semana, mas também não raro duas ou até três vezes/semana.

A educação para fibromialgia muitas vezes é associada com intervenções como: exercícios físicos ou terapia cognitiva. Porém, essa associação apresenta resultados duvidosos quanto à superioridade em relação à somente educação (Sharla e cols., 2002; Burckhardt e cols 1994).

Rooks e equipe (2007) relatam, por exemplo, que os estudos que comparam exercício físico com educação ou a combinação entre eles, são poucos e incluem uma ampla variedade de intervenções, com resultados inconsistentes. Sendo assim, considera-se importante um esforço na tentativa de padronizar estratégias educacionais para Fibromialgia, principalmente no que tange a realidade brasileira, em que trabalhar com poucos recursos e com o paciente à frente da própria melhora pode ser fundamental.

Deixo aqui uma frase que gosto de mencionar, que diz: “conhecimento também é tratamento”.

Texto por: Felipe Moretti, que atua com pesquisas e atendimento à pacientes com fibromialgia há mais de 10 anos.

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